Surto de Coceira em Pernambuco

A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) emitiu uma nota técnica esclarecendo que o surto de lesões que causam coceira em Pernambuco foi causado por uma mariposa.

A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) emitiu uma nota técnica esclarecendo que o surto de lesões que causam coceira em Pernambuco foi causado por uma mariposa. O inseto, do gênero Hylesia, tem cerdas espalhadas pelo corpo, que se desprendem durante o voo e ao colidirem com lâmpadas e outros objetos.

1) Que mariposa é essa?

No Brasil, há mais de 50.000 espécies de borboletas e mariposas, incluindo as do gênero Hilesya, que têm papel fundamental na polinização das flores. Em seu desenvolvimento, esses insetos passam pelas fases de ovo, larva ou lagarta, pupa ou crisálida e adulto.

As fêmeas da mariposa Hylesia, que são as únicas que causam os acidentes com humanos, têm cor acinzentada e o corpo coberto por pequenos pelos, como cerdas, que têm o formato de flecha. Elas têm hábitos noturnos e costumam descansar em locais baixos durante o dia.

A envergadura das asas desse animal têm, no máximo, 4,5 centímetros. Elas se reproduzem especialmente em períodos em que o clima é mais quente, o que, na América do Sul, ocorre especialmente entre os meses de novembro e janeiro.

A espécie é considerada uma praga da fruticultura. Apesar de não ser vetor de doenças, a presença de mariposas geralmente causa aumento de casos de dermatite, devido ao contato humano com as cerdas desprendidas do corpo do inseto. Justamente pelo pequeno potencial danoso, há poucos estudos sobre a interação dessa espécie, explica o pesquisador.

2) Onde ela vive?

A mariposa Hylesia pode ser encontrada em diversos locais do mundo e é bastante comum em todo o continente americano.

De acordo com o professor Vidal Haddad Junior, professor da Universidade Estadual Paulista e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Toxinologia (área da toxicologia que estuda toxinas produzidas por organismos vivos), surtos de dermatites causados por esses insetos, apesar de não serem tão comuns, estão longe de serem raros.

“Ela é comum na América toda. Às vezes dá surto na Venezuela. Em 2006, descrevi um caso em que havia uma infestação dessa mariposa dentro de um navio que chegou à Bahia. Os trabalhadores estavam todos arrebentados, porque, no meio do mar, elas não tinham para onde voar”, afirmou o professor.

O caso ao qual Vidal Haddad Junior chegou a ser notificado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e foi descrito em um artigo científico. Havia 22 tripulantes no navio, que tinha bandeira filipina. Todos eles foram afetados por dermatites.

3) O que causa um surto?

Um surto é qualquer doença ou agravo que foge do padrão, com aumento do número de casos acima do esperado por autoridades.

Segundo o Vidal Haddad Junior, não há motivos específicos para o aparecimento de surtos como o que atingiu pacientes de ao menos 21 cidades de Pernambuco e outras regiões do país em anos anteriores. Isso porque essa mariposa está presente em todo o território brasileiro e, mesmo assim, os casos são incomuns.

Justamente por surtos desses casos serem incomuns, há dificuldade dos serviços de saúde os relacionarem à presença das mariposas.

“Isso acontece esporadicamente, na época da reprodução dessas mariposas. Isso pode ou não acontecer em qualquer lugar do Brasil. Além disso, esse período de reprodução dura muito tempo. Mas o que pode acontecer é de o contato com as cerdas ocorrer muito tempo depois. Por exemplo, se uma delas pousa na cama, mesmo depois de ter voado, se você deita lá em cima, rola o corpo, vai ter contato com os pelinhos”, declarou Vidal Haddad Junior.

Um artigo publicado na revista internacional Parasite Journal afirma que “as densidades das mariposas mostram grandes variações sazonais e anuais, dependendo de mecanismos na sua maioria desconhecidos”. Por isso, não é possível prever ou mesmo entender o porquê de um surto ocorrer em determinado local e época.

4) Para que servem as cerdas?

As cerdas encontradas no abdômen das mariposas, geralmente de cor amarela ou alaranjada, são espécies de escamas modificadas. Elas servem para proteger os ovos do inseto de predadores.

5) Por que não há surtos todo ano?

Não se sabe, ao certo, o que causa um surto causado por mariposas, nem o que fazer para evitá-lo. No entanto, a maioria dos registros ocorre entre o final da primavera e o verão.

Alguns pesquisadores acreditam, também, que variações climáticas como as desencadeadoras do fenômeno El Niño e de La Niña, caracterizados por invernos mais amenos ou mais rigorosos, respectivamente, podem antecipar ou retardar o período de reprodução das mariposas.

6) Quais são os sintomas da dermatite causada por mariposa?

O contato com as cerdas da mariposa Hylesia pode causar dermatite urticante, caracterizada pela pele avermelhada acompanhada de intensa coceira. Estes sintomas podem evoluir para bolhas e feridas.

“Cada carocinho é uma cerda que penetrou na pele. Mas não são todos que inflamam. Pode acontecer de isso ficar até um mês, por aí. São os preços que a gente paga para a natureza, mas não há razão para desespero”, afirmou Vidal Haddad Junior.

7) O que fazer ao ver uma mariposa?

Os especialistas pedem que a população evite matar as mariposas, já que elas fazem parte da cadeia ecológica e, também, porque isso pode ocasionar contato ainda maior com os insetos e a liberação de cerdas danosas à saúde. Quando possível, é recomendado fechar portas e janelas e diminuir a quantidade de luzes, que atraem as mariposas.

É comum, ainda, a presença de mariposas mortas pelo chão e próximas a lâmpadas. Nesse caso, para retirá-las, o mais recomendado é utilizar um pano úmido, e não varrê-las, o que pode espalhar ainda mais as cerdas.

8) Como tratar os sintomas da dermatite?

Para alívio imediato, é recomendado que os pacientes apliquem compressas frias nas lesões, mas que, principalmente, procurem unidades de saúde para receberem tratamento adequado. Não é recomendada a automedicação.

“O tratamento é tirar a inflamação. Por isso que se usa cortizona, pomadas com corticoide”, afirmou o professor.

Também podem ser utilizados anti-histamínicos, para reduzir a coceira, bem como corticoides orais, a depender da gravidade das lesões.

Publicado por Aldo Corrêa de Lima

Advogado; Bacharel em Teologia; Servo do Deus Altíssimo (Cristão Evangélico [Protestante] apaixonado pelas Sagradas Escrituras e pela Seara Divina); Conservador, Líder, Comprometido, Trabalhador, Honesto, Ético e Sonhador; Casado com Willyana Corrêa de Brito (esposa fiel; Fotógrafa; Agente Comunitária de Saúde; Crente e sedenta por servir a Deus; Sonhadora, Meiga, Amiga, Batalhadora).

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